segunda-feira, 22 de novembro de 2010

o Inicio da Crise no Sistema Desportivo Português (parte I)

Durante o tempo das "vacas gordas" ou "falsamente gordas"... o Sistema Desportivo Português, transversalmente e a maioria dos seus intervenientes, viveram virados para o seu umbigo.

Apoiados pela ideologia do associativismo e do amadorismo pós 25 de Abril, e ainda assim com raízes fortes na estrutura centralizadora e dependente do Estado, que a ditadura implementou, construiu-se um Sistema Desportivo que viveu e se desenvolveu, a partir do 25 de Abril com base numa total dependência monetária do estado e de alguns beneméritos locais, geridos por estruturas profundamente amadoras, curiosas, e na sua grande maioria mal formadas/instruídas sobre o que era o Desporto e as suas diversas vertentes, onde apenas as grandes cidades apresentavam algumas excepções a este quadro.

Não tendo, desde essa altura (25 de Abril de 1974) havido um projecto politico a longo prazo, apoiado em conhecimento cientifico e universitário, e/ou sequer copiado/bem adaptado dos melhores exemplos internacionais, pontificou desde essa altura a proliferação espontânea de clubes, colectividades, associações, sociedades, etc, ávidos da livre associação e direitos de expressão. Entidades essas que, por falta de cultura, conhecimento, informação, directrizes e politicas concretas, adaptaram o Desporto a si e não se adaptaram às necessidades do Desporto.

Ora, o dinheiro do Estado (contribuintes e união europeia), enquanto houve, foi sendo utilizado com muito pouco critério, dando azo a erros enormes tais como: aparecimento de várias entidades em pequenas localidades que procuravam (à sua maneira) promover a mesma modalidade, concorrendo entre si por uma fonte de recursos humanos tangível e perceptivelmente insuficientes em número e em qualidade, quer para praticantes, quer para estruturas directivas e de gestão. Houve claramente uma canibalização de recursos, humanos, financeiros, intelectuais.

Outro erro foi a canalização sistemática do dinheiro para determinadas modalidades, à procura de que um dia a entidade tivesse um momento de glória num mundo altamente colonizado, que por breves instantes aqueles que essa entidade dirigiam pudessem ser reconhecidos e se auto-promovessem. Situação que levou à mendigação de outras modalidades e as amputou de crescimento muito cedo, num Sistema Desportivo que após uma revolução, se prestava a desenvolver e impor.

Cada um olhava por si. Utilizava o dinheiro para ser melhor que o vizinho, duas ruas mais a baixo, ou para ser melhor que a aldeia seguinte, que podia ter os mesmos 100 habitantes, mas já tinha um "campo da bola" e não para desenvolver o Desporto, primeiro, e consolidar a estrutura da entidade que dirigia, preparando-a para o momento em que o dinheiro do Estado deixaria de chegar para tanto despesismo... (continua)

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